DICIEMBRE, 2025 (57-78)Número 27
SUSTENTABILIDADE EM FESTIVAIS
REGIONAIS: UMA ANÁLISE DA FESTA DO
AIPIM NO RIO DE JANEIRO
SUSTAINABILITY IN REGIONAL FESTIVALS:
AN ANALYSIS OF THE AIPIM FESTIVAL IN
RIO DE JANEIRO
SOSTENIBILIDAD EN FIESTAS REGIONALES:
UN ANÁLISIS DEL FESTIVAL AIPIM EN RÍO
DE JANEIRO
DOI: https://doi.org/10.37135/chk.002.27.03
Artículo de Investigación
Recebido: (22/02/2025)
Aceitado: (24/06/2025)
1Mestranda em Desenvolvimento Regional e Sistemas Produtivos, Centro Federal
de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (CEFET/RJ), Río de Janeiro,
Brasil, email: luana.santos.2@aluno.cefet-rj.br
2Mestranda em Desenvolvimento Regional e Sistemas Produtivos, Centro Federal
de Educação Tecnológica Celso Suckow da Fonseca(CEFET/RJ), Río de Janeiro,
Brasil, email: maria.silva@aluno.cefet-rj.br
3Docente no programa de Pós-graduação em Desenvolvimento Regional e
Sistemas Produtivos, Centro Federal de Educação Tecnológica Celso Suckow da
Fonseca (CEFET/RJ), Río de Janeiro, Brasil, email: jose.mello@cefet-rj.br
Luana de Oliveira Santos1,
Maria Eduarda de Freitas Silva2,
José André Villas Boas Mello3
SUSTENTABILIDADE EM FESTIVAIS REGIONAIS: UMA ANÁLISE DA FESTA DO AIPIM NO RIO DE JANEIRO
Número 27 / DICIEMBRE, 2025 (57-78)
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Este estudo investiga o impacto das festas regionais na valorização da cidade de Nova Iguaçu,
Rio de Janeiro, por meio de suas vocações territoriais. O objetivo da pesquisa foi analisar
um festival regional, conhecido como Festa do Aipim, a partir de diferentes perspectivas.
A amostragem foi não probabilística e intencional e foram aplicadas entrevistas abertas
semiestruturadas a 16 pessoas envolvidas de alguma forma com o evento. A pesquisa seguiu
o caminho qualitativo e permitiu captar as percepções dos diversos atores sociais envolvidos,
revelando como a festa pode contribuir para fomentar a sustentabilidade, fortalecer a
identidade local e promover o desenvolvimento econômico, social e cultural da região.
Como resultado, concluiu-se que a festa desempenha um papel importante na promoção da
sustentabilidade e na valorização e preservação das identidades regionais.
PALAVRAS-CHAVE: Festival regional, desenvolvimento regional, sustentabilidade.
This study investigates the impact of regional
festivals on the appreciation of the city of Nova
Iguaçu, Rio de Janeiro, through its territorial
vocations. The aim of the research was to analyze
a regional festival, known as Festa do Aipim,
from dierent perspectives. The sample was non-
probabilistic and intentional, and open-ended
semi-structured interviews were conducted with
16 people involved in some way with the event.
The research followed a qualitative approach and
made it possible to capture the perceptions of the
various social actors involved, revealing how the
festival can contribute to fostering sustainability,
strengthening local identity and promoting the
economic, social and cultural development of
the region. As a result, it was concluded that the
festival plays an important role in promoting
sustainability and in valuing and preserving
regional identities.
KEYWORDS: Regional festival, regional
development, sustainability.
Este estudio investiga el impacto de las estas
regionales en la valorización de la ciudad
de Nova Iguaçu, Río de Janeiro, a través
de sus vocaciones territoriales. El objetivo
de la investigación fue analizar una esta
regional, conocida como Festa do Aipim,
desde diferentes perspectivas. La muestra fue
no probabilística e intencional, y se realizaron
entrevistas semiestructuradas abiertas a 16
personas relacionadas de alguna manera con
el evento. La investigación siguió un enfoque
cualitativo y permitió captar las percepciones
de los distintos agentes sociales implicados,
revelando cómo el festival puede contribuir a
fomentar la sostenibilidad, reforzar la identidad
local y promover el desarrollo económico,
social y cultural de la región. Como resultado,
se concluyó que la esta desempeña un papel
importante en la promoción de la sostenibilidad
y en la valorización y preservación de las
identidades regionales.
PALABRAS CLAVE: Fiesta regional,
desarrollo regional, sostenibilidad.
RESUMO
ABSTRACT RESUMEN
SUSTENTABILIDADE EM FESTIVAIS
REGIONAIS: UMA ANÁLISE DA FESTA DO
AIPIM NO RIO DE JANEIRO
SUSTAINABILITY IN REGIONAL FESTIVALS: AN
ANALYSIS OF THE AIPIM FESTIVAL IN RIO DE
JANEIRO
SOSTENIBILIDAD EN FIESTAS REGIONALES:
UN ANÁLISIS DEL FESTIVAL AIPIM EN RÍO DE
JANEIRO
Luana de Oliveira Santos, Maria Eduarda de Freitas Silva, José André Villas Boas Mello
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INTRODUÇÃO
Atualmente existe uma crescente urgência na criação de modelos de
desenvolvimento territorial sustentável que ofereçam alternativas e
estratégias para territórios em desenvolvimento e que precisam de maior
atenção, como acontece em espaços rurais. Tais modelos surgem de onde
uma nova concepção de desenvolvimento sustentável, que buscam não
apenas evitar a degradação dos ecossistemas, mas também promoção e
valorização dos territórios, com o intuito de diminuir as desigualdades
sociais, o que pode minimizar os impactos das atividades de produção e
consumo, utilizando de forma racional os recursos naturais do território
e respeitando os limites físicos dos ecossistemas (Denardin et al., 2023)
Comunidades locais que produzem alimentos e entendem as condições
e tradições locais, e os destinos de turismo e eventos associados, como
festivais, estão intrinsecamente conectados à cultura e ao patrimônio
local de um povo. A partir de tal preceito observa-se signicativo
interesse tanto por parte dos governantes quanto dos moradores na
valorização e desenvolvimento dos territórios onde estão inseridas
essas comunidades (Apak & Guerbuez, 2023; Hai, 2023; Zhang & Dai,
2023).
Nesse cenário, os festivais regionais surgem como ferramentas
fundamentais para impulsionar o desenvolvimento local em determinadas
regiões. Além de atrair visitantes e turistas, tais festividades fomentam
a inclusão social e estimulam o desenvolvimento local e econômico,
especialmente em áreas onde a paisagem verde é predominante. Além
disso, tem papel essencial na promoção da cultura local e na valorização
das características endêmicas de regiões verdes (Jani, 2023; Hai & Ngan,
2022), visto que Lau & Li (2019) sugere que o local de um festival está
diretamente ligado a elementos ambientais.
Conforme observado por Ossowska et al. (2023), os festivais locais são
essenciais para áreas verdes, pois elas reforçam o senso de pertencimento
e a identidade comunitária de uma comunidade local. O sentimento
de pertencimento dos locais legitima as memórias sociais construídas
ao longo do tempo (Braga et al., 2022; Oliveira & Ribeiro, 2019).
Entretanto, diferentes grupos de interesse percebem seus impactos de
maneiras distintas — enquanto os visitantes vivenciam uma experiência
das festividades, os moradores locais podem ter outra perspectiva.
Os atrativos regionais desempenham um papel fundamental em prol da
sustentabilidade ao valorizar a autenticidade dos destinos, fortalecer a
economia local e implementar infraestrutura ecologicamente correta.
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A gastronomia é especialmente signicativa como referência cultural,
transmitindo informações sobre produtos e tradições da região. Além
disso, tais eventos contribuem signicativamente para construir capital
social ao promover o sentimento de pertença e valorização do território
(Zhang & Dai, 2023). No entanto, ainda faltam estudos abrangentes que
investiguem profundamente esses impactos e dinâmicas na literatura
existente.
A preservação e a divulgação do patrimônio são de fundamental
importância para o sistema turístico nas diversas escalas territoriais,
uma vez que eventos locais podem contribuir para promover o
desenvolvimento local, melhorar a imagem do destino, o tornando mais
atrativo, e atraindo turistas em busca de experiências únicas (Pereira et
al., 2021).
Nesse contexto destaca-se o município de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro,
Brasil e um dos principais centros de preservação em biodiversidade em
áreas de mata Atlântica. Segundo dados do último Censo do Instituto
Brasileiro de Geograa Estatística (IBGE, 2022) a cidade é caracterizada
por 67% de sua área total de 520,00 Km de áreas verdes. Uma das
principais riquezas do município é a reserva biológica do Tinguá, que
não apenas abriga variedade de fauna e ora, mas um amplo contexto
histórico.
Todos os anos na cidade de Nova Iguaçu, são realizados festivais com
o propósito de promover os valores históricos, as potencialidades e os
recursos materiais e imateriais do município. Essas celebrações são
fruto das lutas pela formação e valorização dos espaços, dos territórios
e dos laços de pertencimento criados ao longo da história de suas
comunidades (Ângelo, 2015). Dentro deste cenário, um festival de
destaque, que serve como foco de estudo nesta pesquisa, é a Festa do
Aipim.
Estudos têm se dedicado à análise das interações entre turismo e
território, especialmente no que diz respeito à qualidade do destino,
avaliada pela percepção dos usuários, no entanto o tema ainda é
emergente na literatura (Braga et al., 2022; Jani, 2023; Feijão, 2025).
O objetivo proposto deste estudo foi analisar a festa do Aipim de Nova
Iguaçu na perspectiva dos visitantes, dos organizadores da prefeitura
da cidade e os locais que vivem e moram no Tinguá e participaram da
festividade (Pereira et. al., 2021).
O estudo justica-se pois os entrevistados tendem avaliar os benefícios
e desvantagens de um festival a partir de suas percepções positivas ou
negativas sobre os eventos que participam. A percepção positiva dos
locais e residentes sobre as festividades locais deve estar associada à sua
felicidade. Quando percebem mais benefícios do que custos econômicos,
sociais, culturais e ambientais, tendem a apoiar o desenvolvimento de
atividades em suas comunidades. Essas atitudes inuenciam diretamente
o turismo, sendo fundamental analisar especialmente em destinos onde
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os impactos socioculturais negativos são negligenciados.
De acordo com Dallabrida (2021) uma das maneiras da valorização
do território é através de suas múltiplas dimensões. O foco desse
estudo será nas dimensões cultural e indenitária, visando compreender
como tais eventos contribuem para o desenvolvimento sustentável e a
promoção da identidade local nesta região. Para alcançar esse propósito,
investigaremos a seguinte questão norteadora: Quais são as percepções
dos residentes em relação ao Festival do Aipim em Nova Iguaçu?
Este artigo está organizado da seguinte maneira: Introdução com
contextualização da Cidade de Nova Iguaçu. Em seguida seção
metodológica. Sessão de resultados e discussões dos resultados,
considerações nais.
METODOLOGIA
A metodologia utilizada no estudo é de natureza qualitativa, que foi
realizado através de um estudo exploratório que teve como nalidade
principal desenvolver, esclarecer e modicar conceitos e ideias,
apresentam menor rigidez no planejamento, envolvem entrevistas
semiestruturadas, e este tipo de pesquisa é realizado especialmente
quando tema escolhido é pouco explorado (Gil, 2021).
Para a escolha do número de entrevistados no estudo, foi levado
em consideração um nível de saturação de pesquisas qualitativas
proposto por Minayo (2012) que propõe que o mínimo aceitável é
de 5 entrevistados com máximo de 15 a 30 pessoas, cuja principal
nalidade é compreender através da percepção dos entrevistados
levando em conta sua individualidade e seu ponto de vista. Este estudo
analisou uma amostra total de 16 entrevistados dado que “o universo
das investigações qualitativas é o cotidiano e as experiências do senso
comum, interpretadas e reinterpretadas pelos sujeitos que as vivenciam”
(Minayo, 2014, p. 24).
O convite para as entrevistas foi enviado para 3 gestores da prefeitura
de Nova Iguaçu, o primeiro entrevistado representou a cadeira do
vice-secretário de meio-ambiente do Município, a vice-secretária
de Desenvolvimento Econômico, Trabalho e Turismo e a presidente
da Secretária de Cultura, por e-mail. O convite também foi enviado
para três professoras da Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro
(UFRRJ) onde lecionam no curso de turismo e são pesquisadoras do
Observatório da Baixada Verde, um projeto de pesquisa vinculado a
UFRRJ onde a prefeitura e a universidade fazem pesquisas em prol do
turismo na região de estudo.
A seleção dos entrevistados foi realizada através de critérios de
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elegibilidade que seguiram os seguintes critérios:
1. Ter participado, direta ou indiretamente, de alguma edição da festa
nos anos em que esta foi realizada;
2. Na escolha dos residentes, foram considerados os seguintes critérios
de elegibilidade: ter participado da festa em algum momento, ser
um produtor local, morador da região ou trabalhar com agricultura e
produção de aipim;
3. Na escolha dos gestores, foram selecionados com base em suas
posições e contribuições para a organização e produção do evento,
incluindo aqueles envolvidos na gestão ambiental e no desenvolvimento
do município;
4. Na escolha dos pesquisadores, foram considerados os pesquisadores
e professores com estudos especializados na região.
Foram entrevistados um total de 16 pessoas tanto do sexo feminino
quanto do masculino, baseado nos critérios de elegibilidade, que
possuíam vínculos distintos e papeis diversos na festividade como
mencionado na tabela 1 e caracteriza a amostra total de entrevistados.
Tabela 1: Entrevistados
As entrevistas foram realizadas ao longo dos meses de abril e maio
de 2024, no início do processo os entrevistados foram convidados a
participar de entrevistas gravadas em áudio, com autorização dos
entrevistados e foram transcritas de maneira anônima no estudo e foram
feitas perguntas abertas, seguindo um guião baseado em eixos teóricos
que destacam a importância das festividades regionais na valorização
e preservação dos recursos materiais e imateriais de Nova Iguaçu, na
região de Tinguá.
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Para a realização da pesquisa, utilizou-se o termo de livre esclarecimento
(TCLE), onde foi obtido o consentimento de cada entrevistado,
informado por escrito e noticado que o estudo tinha propósito
acadêmico. Posteriormente as entrevistas foram transcritas com uso de
ferramentas digitais, utilizando o site TurboScribe para transformar em
texto os áudios oriundos das entrevistas de até 30 minutos, as demais
entrevistas foram analisadas através do Microsoft Word pois excederam
o tempo disponibilizado pelo site utilizado.
Por último, as análises realizadas neste estudo contaram com o uso
de softwares, para a criação da nuvem de palavras, como o Iramuteq
na análise das palavras mais citadas pelos entrevistados. O software
em questão é destinado à realização de análises estatísticas de textos
e questionários, com uma interface de R que auxilia na organização
e tratamento estatístico de dados textuais e qualitativos, reunindo um
conjunto de procedimentos lexométricos distintos (Sousa, 2021).
RESULTADOS E DISCUSSÕES
CONTEXTUALIZAÇÃO DA REGIÃO E A FESTA DO
AIPIM
A cidade de Nova Iguaçu é um município da Região metropolitana
do Rio de Janeiro, Brasil conhecido como Baixada Fluminense, e está
localizado aproximadamente 40 km da capital uminense. O município
é o maior em extensão territorial, abrangendo cerca de 522,581 km². E
sua economia é diversicada com indústria e comércio de serviços com
aproximadamente 843.046 mil habitantes (IBGE, 2024). E uma forte
característica da cidade é sua biodiversidade, com aproximadamente
65% de seu território composto por áreas verdes (IBGE,2022).
A cidade de Nova Iguaçu foi fundada em 1833, destacando-se
inicialmente por seu papel estratégico no escoamento de produção
cafeeira e canavieira, por meio da Estrada Real, no século XIII, que
passava no Bairro de Tinguá. Posteriormente, a cidade se beneciou
do ciclo da citricultura, que a sustentou por décadas, mas entrou em
declínio após a metade do século XX. Além disso, testemunhou o
surgimento de loteamentos e a emancipação de municípios vizinhos,
como Queimados, Japeri, Mesquita, Belford Roxo, Nilópolis, Duque
de Caxias e São João de Meriti (Do Amaral & Afonso, 2022; Kalaoum
& Trigo, 2021).
O recente desenvolvimento da região ocorreu em consonância com a linha
férrea que atravessa e divide a cidade, além de duas importantes vias, a
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Rodovia Presidente Dutra, ou apenas Via Dutra, e a Rodovia Raphael de
Almeida Magalhães, mais conhecida como Arco Metropolitano do Rio
de Janeiro. Apesar de sua relevância histórica e sua posição na região
metropolitana uminense, a área enfrenta desaos socioeconômicos e
é caracterizada por uma vulnerabilidade social signicativa (Menezes
& Mello, 2022).
Na Cidade de Nova Iguaçu, anualmente, são realizados festivais regionais
com o objetivo de promover os valores históricos, potencialidades e
recursos materiais e imateriais do município. Essas festividades são
resultantes das lutas pela formação e valorização dos espaços, territórios
e elos de pertencimento criados através da história de suas populações
(Ângelo, 2015). Um festival de destaque na região é a Festa do Aipim,
realizada no bairro Tinguá, próximo à Reserva Biológica do Tinguá
(REBIO), a pouco mais de 25 km do centro da cidade. Na gura 1 é
destacada a localização do território iguaçuano e onde ocorre a festa, na
região circulada em vermelho como é destacado na gura 1, próximo
a REBIO.
Figura 1: Mapa de Nova Iguaçu
A produção do aipim no bairro Tinguá deu origem a uma das festividades
mais tradicionais e conhecidas da Baixada Fluminense. A festividade
é tão importante para a cidade que já faz parte do calendário cultural
ocial do Rio de Janeiro e da cidade, conforme publicado pelo Diário
da União através da Lei n° 6305, de 29 de agosto de 2012 (Silva &
Ângelo, 2013; Ângelo & Fogaça, 2020).
O evento ocorre em meados do mês de julho, coincidindo com o
início da safra de mandioca no Brasil, e atrai aproximadamente 30.000
visitantes em busca de experiências gastronômicas e naturais únicas,
contribuindo signicativamente para o turismo local (PNI, 2023), uma
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vez que a cidade de Nova Iguaçu se destaca como a maior produtora
de mandioca do Estado do Rio de Janeiro, com uma média de 3.000
toneladas anuais (IBGE, 2022).
Apesar de ser um município territorialmente extenso e possuir uma
localização estratégica, Nova Iguaçu tem uma rica histórica cultural e
áreas verdes. A região destaca uma festividade amplamente conhecida,
a Festa do Aipim, que surgiu devido ao cultivo do aipim no Bairro de
Tinguá, sendo uma das mais famosas da Baixada Fluminense. A festa
acontece todos os anos realizada em cooperação da Associação de
Moradores de Tinguá, com a prefeitura de Nova Iguaçu e órgãos de
incentivo (Ângelo & Fogaça, 2020).
A concepção do evento surgiu em 2003, impulsionada pelas demandas
dos moradores de Tinguá que buscavam chamar a atenção do poder
público para a região, visando melhorar as condições de vida local.
Além da necessidade econômica de gerar renda, inuenciada pela
forte presença da agricultura familiar na área. Os residentes desejavam
promover “a valorização do meio ambiente, o desenvolvimento turístico
e o resgate da cultura do cultivo da terra e da gastronomia, centrada no
aipim, na comunidade local” (entrevistada 14, comunicação por escrito,
4 de maio de 2024).
Por esses motivos, escolheu-se destacar simbolicamente o trabalho dos
produtores locais (Silva & Ângelo, 2013). O evento foi concebido como
parte de uma estratégia para dinamizar a região fora da temporada de alta
balneabilidade e atividades de lazer ao ar livre, oferecendo uma nova
perspectiva sobre o local, visto que a região possui um rico patrimônio
cultural, diversos pontos turísticos e paisagens naturais e históricas.
Em 2004, foi realizada a primeira edição da festa, e durante os anos
“o evento cresceu em termos de infraestrutura, organização, aspectos
culturais e na qualidade dos produtos apresentados” (entrevistada 14,
comunicação por escrito, 4 de maio de 2024). No decorrer do tempo,
a festa adotou alguns formatos, como a de megaevento, ignorando
vários aspectos sociais, de infraestrutura, climáticos e culturais, como a
mudança no período da festa, que tradicionalmente acontecia em julho,
durante a colheita do aipim.
No período em que o evento cou conhecido como grande evento,
a ausência de infraestrutura foi ainda mais evidente, e a festa cou
conhecida como “a festa da lama” (entrevistado 13, comunicação
pessoal, 4 de maio de 2024). Um dos entrevistados recordou que “a
festa estava muito cheia” (entrevistada 15, comunicação pessoal, 13 de
maio de 2024). Ela também mencionou que “para estacionar o carro
era muito difícil e o trânsito era muito ruim. Havia muita lama, muito
mesmo” (entrevistada 15, comunicação pessoal, 13 de maio de 2024).
Entre 2017 e 2018 a festa foi interrompida, mas voltou em 2019 no
formato tradicional e foi considerada um sucesso, de acordo com
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os entrevistados. Em meados de 2020, a pandemia da COVID-19
inviabilizou a realização do evento por aproximadamente dois anos.
Após esse período, em 2022, a festa retornou e continuou sendo
realizada anualmente como sempre foi realizada desde 2003.
Foram entrevistados um total de 16 entrevistados tanto do sexo
feminino quanto do masculino, baseado nos critérios de elegibilidade,
que possuíam vínculos distintos e papeis diversos na festa. Entre
os entrevistados, 75% foram do gênero feminino e 25% do gênero
masculino. Assim como 8 são moradores do bairro Tinguá, situado no
município de Nova Iguaçu, e todos já frequentaram pelo menos uma
edição da festa do aipim.
A escolha dos entrevistados resultou em duas professoras da UFRRJ
que trabalham com a temática do ecoturismo e atrativos turísticos
na região do objeto de estudo, uma estudante de turismo da UFRRJ
e ex-funcionária da Estação da Cultura Tinguá, três gestores públicos
da cidade de Nova Iguaçu, sendo um participante da secretaria de
desenvolvimento econômico, trabalho e turismo, outro da secretaria do
meio ambiente e uma participante da Fundação Educacional e cultural
de Nova Iguaçu (FENIG).
Assim como pessoas que participam ou já auxiliaram na organização
da festa do aipim, como três pessoas que já auxiliaram na organização
do evento nos anos iniciais e dois integrantes da Associação dos
Moradores e Amigos em Tinguá (AMAT). Além desses entrevistados,
também contribuíram para essa pesquisa duas comerciantes do bairro
Tinguá, uma produtora rural do bairro Jaceruba, uma pesquisadora que
atua com temáticas na região e uma moradora de Tinguá.
Para se identicar o nível de percepção local sobre o entendimento de
um festival destacam-se as questões abordadas por Kim et al. (2010)
que em seu estudo comparativo, que propôs uma mensuração para
mapear a percepção de visitantes e residentes em festivais a partir de
cinco categorias diversas: motivações para visitar festivais e eventos,
percepções dos residentes sobre festivais ou eventos semelhantes,
impactos econômicos dos festivais ou eventos, aprimoramento das
abordagens metodológicas para análise dos impactos econômicos dos
festivais e, fatores sociodemográcos e culturais.
Quando se descreve sobre a importância de festivais em determinada
localidade é mencionado que “a festa divulga a cidade, pois a partir da
Festa do Aipim a cidade teve um desenvolvimento econômico maior”
(entrevistado 11, comunicação pessoal, 20 de maio de 2024), que serviu
como “uma grande oportunidade de aumentar o número de visitantes na
região, além de valorizar a cultura local” (entrevistada 8, comunicação
por escrito, 18 de maio de 2024), nesse sentido tal sentimento dos
entrevistados estão alinhados à perspectiva de Ossowska et al. (2023)
que destaca que festivais desempenham um papel importante na vida
de uma comunidade, construindo capital social através de um senso de
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pertencimento e lugar.
Quando foram indagados sobre suas experiências na região de Tinguá
e suas preferências de lazer, com base na percepção individual de cada
entrevistado, tanto residentes quanto outros participantes do estudo
expressaram visões positivas sobre a região e a Festa do Aipim, citando
que a região tem naturalmente um grande potencial histórico e natural,
que se congura como parte integrante do patrimônio material e
imaterial local.
Esse aspecto foi evidenciado no estudo de Braga et al. (2022), que
ressalta a relevância da preservação do patrimônio cultural para o
turismo em diversas escalas territoriais, destacado por meio de uma
pesquisa realizada em redes sociais, onde o impacto das escolhas
dos turistas sobre os destinos a serem visitados e o fortalecimento do
sentimento de preservação do patrimônio cultural em Tinguá, um bairro
com signicativo apelo turístico em Nova Iguaçu.
Quando questionados sobre os motivos que levam as pessoas a
escolherem Tinguá como destino, os entrevistados revelaram que
a região é naturalmente um forte atrativo turístico em Nova Iguaçu.
Segundo as opiniões dos 16 entrevistados, Tinguá oferece diversas
opções de lazer, como sítios e cachoeiras. Além disso, os atrativos
naturais e culturais foram apontados como o principal motivo que atrai
turistas para a região.
Na percepção dos entrevistados, os visitantes que vêm a Tinguá buscam
opções de turismo ecológico, como atividades de camping, ciclismo,
trilhas, turismo histórico e a oportunidade de ter um contato direto com
a natureza. Uma das entrevistadas mencionou “A beleza cênica, a beleza
da natureza, a sensação de ser um lugar ainda preservado. Tinguá é
seguro, acessível e acolhedor, com uma atmosfera calorosa. O principal
atrativo de Tinguá é, sem dúvida, a natureza. Em segundo lugar, vem a
Festa do Aipim” (entrevistada 2, comunicação pessoal, 29 de abril de
2024).
Este conceito é apoiado por Pereira et al. (2021), que destacam que o
investimento em festivais e eventos culturais pode promover a criação
de capital social e contribuir signicativamente para o desenvolvimento
das comunidades locais. Por m, esses eventos não apenas atraem
turistas e visitantes, mas também estabelecem laços sólidos entre os
visitantes e as comunidades locais, o que pode ter um impacto positivo
na economia local.
A preocupação das populações locais, em relação a preservação do
patrimônio cultural da cidade, expressa o sentimento de pertencimento
que essas pessoas têm em relação à sua comunidade (Braga et al.,
2022). Sendo assim, entende-se que a construção de um patrimônio de
um território é constituída através das dimensões sociais e culturais,
porque é idealizado em relação às realidades sociais das comunidades
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locais (Alves et. al, 2022).
No que diz respeito às percepções das pessoas sobre a Festa do
Aipim, notou-se que a grande maioria dos participantes relatou a
importância signicativa desse evento para a região, como citado por
um dos entrevistados dizendo que é “uma festa de suma importância”
(entrevistado 5, comunicação pessoal, 4 de maio de 2024), nesse
sentido é preciso destacar que comunidades locais podem proporcionar
experiências de aprendizagem aos seus visitantes e isso se torna mais
proeminente à medida que os visitantes buscam experiências autênticas
(Nandasena et al., 2022), a partir de tal perspectiva quando locais e
visitantes trocam experiências criam-se uma conexões emocionais e
culturais com a festividade, que é destacado pelos entrevistados como
um elemento fundamental na identidade da comunidade.
Além do fomento ao desenvolvimento turístico, reconhecimento e
valorização regional, de forma ordenada e consciente, aproveitando as
vocações naturais disponíveis, seja pelos pontos históricos, o patrimônio
imaterial, a cultura local, os atrativos turísticos e de lazer, e a relação
com o cultivo da terra que a região tem, sem agredir as peculiaridades.
A festa traz para a comunidade uma oportunidade extra de geração
de renda, movimentando a economia da cidade como um todo, mas
principalmente a economia local, através da agricultura, o artesanato
e a gastronomia que são ainda mais explorados na época da festa por
conta do alto número de visitantes na região, destoando dos outros
meses do ano. Assim como também tem ampliado a oportunidade de
reconhecimento dos artistas locais, por conta dos shows realizados
durante o evento, trazendo protagonismo local e a oportunidade de um
evento cada vez mais único e característico.
Na perspectiva de Gursoy e Kendall (2006) em seu estudo observaram
que, no caso de megaeventos e festividades, as percepções dos residentes
sobre o impacto de um evento afetam suas atitudes em relação a ele.
Além disso, fatores cognitivos e econômicos afetam as percepções dos
residentes em relação a realização de festividades turísticas (Nishinaka
et al., 2023). E por mais que os pontos positivos sobressaiam com muita
facilidade os negativos, vale ressaltar que há pontos de melhorias, na
questão de estrutura e acessibilidade para chegar no local da festa.
Em relação aos benefícios proporcionados pela Festa do Aipim para
a região, eles foram categorizados nos eixos delineados na gura 2,
facilitando a visualização e compreensão de como o evento contribui de
maneira abrangente para o desenvolvimento e bem-estar da comunidade
em diversos aspectos da vida econômica, social, educacional, cultural
e ambiental.
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Figura 2: Benefícios da Festa do Aipim.
Dentro do aspecto econômico, estabelece-se uma conexão direta entre a
comercialização do aipim na região, dado que é o produto principal do
evento, e o histórico de cultivo de aipim na área tem sido reconhecido. A
realização do evento, por sua vez, impulsiona a demanda, favorecendo
os comerciantes locais na expansão de suas atividades produtivas e na
venda do aipim e seus derivados durante os dias da festa. Isso valoriza
um produto orgânico, proveniente de práticas agrícolas familiares,
destacando sua importância para a economia local, além disso O
envolvimento dos habitantes locais no planejamento de um festival
é uma chave importante para a sustentabilidade do festival, e essas
festividades oferecem oportunidades de negócios para os residentes e
são percebidos de forma positiva (Jani, 2023; Mair et al., 2021).
Como resultado, a festa tem um impacto direto sobre os produtores
rurais, inuenciando na comercialização e, na capacitação em vendas,
preparação e manuseio do aipim. Este impacto é perceptível tanto antes
do evento, durante a plantação do aipim e nos preparativos do evento,
quanto durante e após a festa. A visibilidade e interesse gerados durante
o evento podem resultar em um aumento contínuo nas vendas mesmo
após o seu término.
A inuência direta sobre os produtores rurais é evidente entre os
entrevistados, visto que eles dedicam meses de planejamento e esforço
na plantação para atender à demanda da festa. Isso proporciona um
sentimento “de pertencimento e orgulho por contribuírem diretamente
para o sucesso do evento” (entrevistado 6, comunicação pessoal, 4
de maio de 2024), tal preceito é armado por Ossowska et al. (2023)
que denem que em regiões onde existem festivais com atrativos
gastronômicos são fortemente impactadas pelo desenvolvimento local,
e tal fato contribui para a sustentabilidade, servindo de apoio para o
empreendedorismo e economias locais.
Nas percepções dos entrevistados, identicam-se as questões
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apresentadas por Jani (2023) sobre a importância da realização de
festivais. Estes eventos são concebidos com o intuito de promover
cultura e entretenimento, ao mesmo tempo em que buscam alcançar
objetivos econômicos e sociais. No entanto, é ressaltado que essas
festividades apresentam tanto aspectos negativos quanto positivos,
especialmente em termos econômicos, ambientais e socioculturais nas
regiões onde são realizadas.
Um dos entrevistados mencionou que “A festa emerge como um
impulsionador tanto da economia quanto da cultura local” (entrevistada
3, comunicação pessoal, 25 de abril de 2024), e ainda acrescenta: “É
uma oportunidade não apenas para o poder público se aproximar da
comunidade, atendendo às suas necessidades essenciais, mas também
para os produtores locais ampliarem suas possibilidades, abrindo portas
e explorando novos horizontes”.
Quando questionados sobre as experiências gerais dos visitantes durante
a festividade, um dos entrevistados descreve que “as pessoas vêm a
Tinguá não só por causa da festa, mas para comer aipim” (entrevistado
5, comunicação pessoal, 4 de maio de 2024). Nesse contexto, a
sustentabilidade do festival refere-se à sua capacidade de se manter e
prosperar ao longo do tempo, beneciando não apenas os participantes,
mas também os residentes, conforme destacado por Jani (2023).
Quando se fala em sustentabilidade do festival, é fundamental
considerar sua longevidade, ou seja, sua capacidade de adaptação às
mudanças ao longo do tempo. Além disso, Jani (2023) ressalta que
um festival sustentável deve levar em conta não apenas os impactos
sociais e econômicos nas comunidades locais, mas também as questões
ambientais, buscando minimizar os efeitos negativos e maximizar os
benefícios para todas as partes envolvidas.
Em relação à experiência geral dos visitantes em Tinguá e no evento,
além da escuta ativa dos organizadores com a população local, um
importante meio de compreender a percepção durante o evento é por
meio de uma pesquisa de percepção conduzida por alunos da UFFRJ,
campus Nova Iguaçu, em colaboração com o governo municipal. Essa
pesquisa não apenas acompanha e diagnostica a experiência, mas
também fornece dados cruciais para identicar áreas de melhoria para
os próximos eventos, garantindo que atenda às expectativas do público
e contribua positivamente para a comunidade local.
Em relação ao senso de pertencimento, conforme identicado por
Zaman e Aktan (2021), está intrinsecamente ligado ao comportamento
de apoio ao residente, evidenciado por manifestações de orgulho e um
entendimento positivo em relação à localidade como destino turístico.
Esse sentimento é claramente observado durante a Festa do Aipim
entre os participantes e membros da comunidade. Eles expressam um
“sentimento de dono” (entrevistada 4, comunicação pessoal, 4 de maio
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de 2024), demonstrando um desejo de preservar a essência do evento.
“A festa não é apenas uma celebração da gastronomia e cultura local,
mas também um símbolo de orgulho, reconhecimento e amor pela
própria comunidade, pois destaca e valoriza os recursos e tradições da
região” (entrevistado 6, comunicação pessoal, 4 de maio de 2024).
Por outro lado, uma parte da população local ainda enfrenta diculdades
para reconhecer o potencial do bairro e suas adjacências, atribuindo
isso à fragilidade na “criação de referências” na região e a “diculdade
em compartilhar informações sobre o próprio local” (entrevistada 1,
comunicação pessoal, 2 de maio de 2024).
A análise por nuvem de palavras, apresentada na gura 3, proporcionou
compreensão visual da perspectiva dos entrevistados sobre a temática
em questão, através de uma análise lexical realizada com o software
Iramuteq. A palavra mais recorrente foi festa, se repetindo por 87 vezes.
Além disso, gura ressalta outras palavras de relevância, como morador,
gente, região e evento, demonstrando que a percepção e o sentido de
pertencimento foram os eixos principais abordados pelos participantes.
Figura 3: Nuvem de palavras com os itens mais citados pelos
entrevistados.
De modo geral, a nuvem de palavras reforçou os termos mais utilizados
da percepção dos entrevistados do Festival do Aipim. Temas como o
senso de pertencimento e a necessidade de preservação, evidenciados na
manifestação da cultura material e imaterial por meio das festividades
regionais, corroboram com as observações de Zhang & Dai (2023),
pois essas festas são componentes intrínsecos de diversas sociedades,
enraizadas profundamente em valores culturais e imateriais, na memória
coletiva e nas tradições culturais de várias nações. Os residentes
desempenham um papel essencial na preservação da cultura e no
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desenvolvimento sustentável do turismo.
Nova Iguaçu é uma região marcada pela sua centralidade e por ter uma
área populosa, e tem como complemento uma rica zona de simbologia
e territorialidade, e que é expressa a partir de manifestações culturais,
como acontece com a Festa do Aipim. Entre tais manifestações, é
possível destacar as festas tradicionais da cidade, são representadas
pelas lutas de formação de espaços, descrevendo por meio de ações
símbolos e territórios os elos de pertencimento à história da cidade, da
sobrevivência e sociabilidade popular, além de exercer a busca pela
cidadania. As festas são atrativos que podem apropriar e alavancar o
turismo de determinada região e fazem parte dos patrimônios culturais
imateriais de determinado território (Ângelo, 2015).
Ao trazer a reexão sobre a temática, o presente estudo conseguiu
identicar um pouco sobre uma festividade tradicional no município
de Nova Iguaçu através do entendimento dos locais, dos participantes e
organizadores da festa do aipim, o que conrma a citação de Braga et al.
(2022) que a maioria das pessoas que buscam a região são inuenciadas
pelas opiniões das pessoas que já conheceram a região anteriormente.
CONCLUSÕES
Este estudo investigou as percepções dos residentes, organizadores,
gestores públicos e pesquisadores, sobre a festa do aipim, em Nova
Iguaçu. A análise revelou que o evento está profundamente enraizado
nas tradições, especialmente entre os habitantes de Tinguá. Esta
pesquisa qualitativa envolveu 16 entrevistados com diversas conexões
diretas ou indiretas com o festival, incluindo representantes do governo,
organizadores, acadêmicos, moradores e visitantes. Apesar de suas
diferentes perspectivas e realidades, todos compartilham o desejo
comum de realizar e preservar o signicado histórico da festa para a
cidade.
O Festival do Aipim, segundo a percepção dos entrevistados, tem um
papel essencial ao atrair a atenção do poder público para a região,
utilizando o turismo como ferramenta para a preservação do Bairro de
Tinguá e de suas tradições históricas, culturais e ambientais. A principal
motivação para a realização da festa, de acordo com os entrevistados,
está na sua capacidade de promover um desenvolvimento sustentável e
equilibrado, beneciando diretamente a comunidade local. No entanto,
a ausência de visibilidade do evento tem limitado o reconhecimento de
sua importância, reduzindo as oportunidades que a festa poderia gerar
para Nova Iguaçu e no turismo na região de Tinguá.
Segundo os resultados da pesquisa através da percepção dos
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entrevistados a festa do Aipim de Nova Iguaçu é a forma de expressão
dessas populações que legitimam a necessidade de superar os desaos
de viver em uma região vulnerável socialmente como a Baixada
Fluminense, com tantos desaos.
Nesse contexto, entende-se que a festa do aipim pode ser um instrumento
de promoção ao desenvolvimento local sustentável e fortalecimento
da identidade cultural, através da articulação entre governos locais, a
população e desenvolvimento de políticas públicas voltadas às essas
comunidades regionais e locais, podendo fazer com que o festival seja
sustentável e gere benefícios a longo prazo às comunidades locais, por
meio do desenvolvimento econômico sustentável, a promoção turística
e o turismo de experiência.
A análise revelou que a Festa do Aipim não é apenas um evento isolado,
mas uma peça fundamental no desenvolvimento cultural, regional e
econômico de Nova Iguaçu. Como todas as festividades regionais, a
Festa do Aipim também enfrenta desaos signicativos, especialmente
devido às barreiras geográcas, uma vez que ocorre em uma região
distante do centro da cidade de Nova Iguaçu, precária de infraestrutura
adequada.
No entanto, as sugestões dos entrevistados e a literatura revisada
apontam caminhos que podem fortalecer o senso de pertencimento
entre os residentes de Tinguá. Por exemplo, a implementação de eventos
culturais móveis e itinerantes, que poderiam mitigar as diculdades de
deslocamento, tornando a cultura mais acessível e integrada por todo o
município.
A permanência e construção da festa ao longo dos últimos anos, apesar
de diversos períodos em que passou por momentos adversos, reetem as
lutas, disputas e formações identitárias dessas comunidades regionais,
que são formadas a partir das relações de poder.
Os resultados deste estudo revelaram uma série de fatos signicativos
sobre as percepções e experiências dos participantes em relação a festa
do aipim, através das entrevistas abertas, possibilitando o entendimento
de quais são os motivos que levam as pessoas a participarem dessa festa
tradicional de Nova Iguaçu. Além de entender quais são os desaos
e potencialidades da festa a partir da perspectiva de quem participa
de forma direta ou indiretamente. A partir da análise das entrevistas
abertas, foram discutidas nessa seção de resultados.
Por outro lado, os resultados deste estudo devem ser interpretados
considerando algumas limitações na pesquisa. Em primeiro lugar, o
estudo capturou a percepção de entrevistados que estiveram envolvidos
na história da Festa do Aipim, em diferentes anos. Além do número de
entrevistados, que também se torna um limitante do estudo. Por m,
conclui-se que este estudo serve como um ponto de partida para reexões
e ações que visam promover festivais regionais como catalisadores
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de sustentabilidade, crescimento econômico inclusivo e preservação
cultural em comunidades locais, distante das regiões centrais.
DECLARAÇÃO DE CONFLITOS DE INTERESSES: Os autores
declaram que não possuem conitos de interesses.
DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO DOS AUTORES E
AGRADECIMENTOS: A continuação, se menciona a contribuição
de cada autor, utilizando a Taxonomia CRediT:
− Luana de Oliveira Santos Autor principal; Conceituação, análise
formal, pesquisa, metodologia, redação do rascunho original,
redação, revisão e edição.
− Maria Eduarda de Freitas Silva: Conceituação, análise formal,
pesquisa, metodologia, redação do rascunho original, redação,
revisão e edição.
− José André Vilas Boas Mello: Conceituação, análise formal,
pesquisa, metodologia, redação do rascunho original, redação,
revisão e edição.
Os autores agradecem o apoio nanceiro do Centro Federal de Educação
Tecnológica Celso Suckow da Fonseca (Cefet/RJ) e o nanciamento
da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior –
Brasil (Capes) – Código de Financiamento 001.
DECLARAÇÃO DE AVAÇÃO DE COMITÊ DE ÉTICA:
A Instituição Federal em qual foi realizada a pesquisa, por nós
pesquisadores, não possui um Comitê de Ética formalmente
estabelecido para o tipo de pesquisa, somente em estudos na área de
saúde que envolvem dados sensíveis, o que não é aplicado ao estudo
em questão. No entanto, os pesquisadores seguiram princípios éticos
fundamentais para garantir a proteção e anonimato dos entrevistados,
utilizando os dados exclusivamente para ns acadêmicos. Para isso,
cada entrevistado recebeu um termo de livre esclarecimento (TCLE)
no qual estavam expressos todos os objetivos do estudo, garantido a
participação voluntária e informada. Todos os procedimentos foram
feitos respeitando a lei nº 13.709, de 14 de agosto de 2018 de proteção
de dados do Brasil não envolvendo dados sensíveis.
DECLARAÇÃO DE DISPONIBILIDADE DE DADOS: Os autores
declaram que os dados utilizados na pesquisa realizada estão disponíveis
e sem restrições de acesso para serem analisados por interessados no
repositório: https://zenodo.org/records/15163260
Luana de Oliveira Santos, Maria Eduarda de Freitas Silva, José André Villas Boas Mello
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